Juliana
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Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Sem http://www
Agora é monstrodobiscoito.blogspot.com


Fiz a grande merda de associar o meu blog - que sempre foi gratuito - à conta do acesso à internet.
Como estou cancelando minha assinatura do provedor, pois não precisarei durante seis meses, perderei meu blog também.
Enfim...

Por Juliana | Sexta-feira, Setembro 01, 2006 | Passe a sua Receita:


Quarta-feira, Agosto 09, 2006

Diagnóstico

Estou tomando tanta água para tentar atenuar um pouco uma irritação na garganta que, das duas uma: ou a minha pele ficará ótima, ou ficarei com insuficiência renal.

Sei que todas as doenças são procuradas por nós mesmos, causadas por um único mal: preocupação. Às vezes, infelicidade. Mesmo sabendo disso, tenho falhado nas minhas tentativas de remediar meus males psicossomáticos.

Talvez seja simplista demais achar que uma tosse que está acabando com minha traquéia seja causada por uma preocupação . Por isso, apelei para o lado cientifico e fui ao médico, que me mandou direito à farmácia tomar injeção. Tomei. Claro que não resolveu.

Tusso (verbo feio) tão forte como se quisesse arrancar uma angústia da minha garganta. Tentei vários comprimidos, xaropes, pastilhas, spray - sem sucesso. O curioso é que sinto-me relaxada mentalmente nos últimos dias.

Talvez a sensação de tranqüilidade seja falsa. Não tenho motivos para enganar a mim mesma, mas a sensação que eu tenho é como se eu estivesse dividida em duas, uma parte escondendo algo da outra.

Não conseguindo solucionar minha doença sozinha, na próxima semana visitarei o doutor.

Por Juliana | Quarta-feira, Agosto 09, 2006 | Passe a sua Receita:


Domingo, Julho 23, 2006

Danke

Desta vez, depois de 15 dias fora, para minha surpresa, não contraí depressão-pós-viagem, mesmo tendo alguns motivos. Estava em um país de primeiro mundo, como era de se esperar, dono de uma arquitetura invejável, seguro, plano, organizado. Um lugar que mostra suas passagens pelas Guerras Mundiais em cada esquina. Identidade visual digna de salva de palmas.

Estive na Alemanha até ontem, para grande sorte minha, no verão. E os dias eram tão intensos que começam às 5h da manha e se encerravam às 22h, com picos de 40 graus. O calor se tornava maior ainda porque os germânicos não têm cultura de verão. Isso significa que ar condicionado é um artigo insignificante para se usar durante apenas um mês. Portanto, as estações de trem, os shoppings, o prédio da Bolsa de Valores, da prefeitura, do Ministério das Relações Exteriores, e assim por diante, não têm ar condicionado - praticamente insuportável a permanência.

Mesmo que esteja absurdamente quente, e que eles não tenham uma pele adequada para tanto, os alemães ficam sobre sol, aproveitando os momentos raros para fazer fotossíntese. Eles também podem tomar banho nos rios da cidade, limpos e frios. As roupas diminuem muito. As saias cobrem apenas o essencial e, os homens, encaram com naturalidade ao excesso de pele a mostra nas ruas.

Não tem feijão, nem guaraná, mas a comida é boa. Os sucos, só de maçã e laranja industrializadas, horríveis. Água mineral, curiosamente e enjoativamente, sempre tem gás. Cerveja abundante em sabores.

A população de turcos está quase superando a de alemães.Estranho a Alemanha ser o país preferido destes quase árabes se as regras são completamente contrárias aos princípio dos muçulmanos, que condenam a bebida alcoólica e a carne de porco: duas das coisas que mais o alemão gosta.

Os beijos e abraços são restritos, a taxa de natalidade também, tanto que o estado dá alguns subsídios para quem se casa, com descontos no aluguel, e assim por diante. O governo tenta incentivar o acasalamento, mas eu vi, em uma casa noturna que comportava cerca de 3 mil pessoas, apenas um casal aos beijos. As mulheres dançam como se estivessem em um baile funk, e os homens apenas olham e não se aproximam.

Por Juliana | Domingo, Julho 23, 2006 | Passe a sua Receita:


Terça-feira, Junho 27, 2006

Muita coisa

Pela janela do ônibus, durante o caminho entre o trabalho e casa, tenho notado a quantidade significativa de academias de ginástica, ioga, natação e outras atribuições para cuidar dos músculos. Estar do lado de fora das academias me faz sentir mais velha e impotente, afinal, eu nunca cruzo o tapete do welcome.

Não consigo me sentir atraída pelo ambiente fechado, pelo teto que pinga suor, pelas pessoas me olhando, pelos monstros bombados assassinos da Língua Portuguesa.

Eu tenho preguiça de procurar uma loja para gastar os tubos com roupas que vou usar apenas duas horas por semana. Não gosto de pensar naquele trabalho de arrumar uma mala, com toalha de banho e tênis, que vou usar pouco e logo em seguida terei de enfiar tudo sujo na mala de novo, e no outro dia refazer tudo isso de novo, e de novo.

E o banheiro? Por que os boxes dos chuveiros não podem ter portas? Aquele bando de mulher pelada, e a micose correndo pelos cantos do vestiário... Não tenho vontade de ir, e isso me incomoda. Eu queria gostar, queria querer.

Fora tudo isso, depois de passar quatro anos na faculdade, o que resulta pelo menos 15 anos de estudos, é preciso fazer pós, mestrado, doutorado. E por que? Para que, com um vistoso "curriculo", seja possível conseguir um emprego melhor, ganhar mais dinheiro. E, raras vezes, com dinheiro, é necessário saber o que fazer duplicá-lo.

É preciso ter carro, estudar no exterior. É preciso ter unhas e depilação impecável. Chega o inverno, precisa de botas e casacos novos. No verão, dinheiro para ir à praia. Ainda é preciso cuidar dos relacionamentos amorosos, os de amizade, atender ao telefone educadamente quando toca ás 8h da manhã do domingo, precisa de dinheiro para se divertir. É preciso também acordar cedo, quando se ainda tem sono, e também dormir cedo bem na hora que vai começar aquele filme, o qual jamais será lembrado em uma das poucas visitas à locadora.

Não se pode simplesmente viver. É preciso pensar em tudo.

Por Juliana | Terça-feira, Junho 27, 2006 | Passe a sua Receita:


Domingo, Maio 28, 2006

Cinderela à Borralheira

Queria era ser a moça do clipe de "Krafty", do New Order. Tudo roda e ela nem parece embriagada. Eu ate aceitaria cortar meu cabelo para ficar parecida com ela. Não precisa de salto alto; fica bem de All Star. Ela é esquálida, mas, bonita. É operária, trabalha em uma indústria têxtil com o namorado. Os dois devem ganhar mal, mas parecem satisfeitos; têm bom gosto musical e suas roupas não passam de camisetas e calças secas. Eu gosto.

Minutos depois assisto ao clipe de "It's like that", da Mariah Carey. Tanto glam, gloss, gliter, roupas insinuantes, apertadas, brilhantes: artificiais. Ela tenta passar uma imagem de gostosa, mas é uma gordinha; tudo bem ser gordinha, desde que não seja mentirosa. Tem origem negra, mas usa uma peruca loira enorme. Considera-se uma diva, mas sabe que não canta bem, por isso precisa de tantos recursos visuais.

Para quem não conhece, existe uma cantora chamada Beth Gibbons, vocalista da banda Portishead; ela canta com a alma, com a mente, com o fígado, rins. Consegue depositar emoção, profundo sentimento até na respiração. Faz tudo isso se apresentando à frente da orquestra sinfônica de Nova Iorque trajando calças jeans desbotadas - não porque um estilista famoso italiano as desenhou para ela, mas porque provavelmente foi a primeira peça que ela encontrou no guarda-roupa - uma blusa preta qualquer e apenas uma passada de pente no cabelo.

No meio de tudo isso, a Madonna me confunde. Em "Sorry", assim como "Hang up", ela ironiza de colant e botas brilhantes - roupas que ela mesma jamais usaria para receber um prêmio ou ir à uma festa, ou mesmo fazer uma "surpresinha" ao marido. Nestes mesmos clipes, ela também veste uma simples calça jeans e uma jaquetinha de couro que, se não estivesse em seu corpo, eu diria que foi comprada numa loja barata do bairro do Brás.

A cantora Pink anda dizendo que não quer ser uma "Stupid Girl", mas se não for assim, os garotos não vão ligar de volta para ela.

Por Juliana | Domingo, Maio 28, 2006 | Passe a sua Receita:


Quinta-feira, Maio 11, 2006

Você tem mensagem

Short Message Service, SMS ou torpedo. Estou tentando saber se esta tecnologia dos celulares é boa ou ruim. Ainda não vejo muitos benefícios, principalmente quando o assunto é relacionamento. Imagino que alguns utilizam esta ferramenta para marcar encontros por vergonha, medo da exposição, proteção contra um possível fora. Além de ser algo impessoal, imaturo, indelicado, é até desconfortável ficar digitando até três vezes para se chegar na letra desejada, acentos e afins.

Não deveria, mas preciso reproduzir os textos dos últimos que recebi aqui (os quais não foram respondidos, obviamente).

"Oi gatinha, nem foi no deboie quinta heim... fiquei com saudade, quando vou te ver ? beijos ."

Ignorando os erros de sintaxe, de pontuação, entre outros, o que leva esta pessoa a pensar que eu iria responder delicada e empolgadamente, com a data e local do encontro? O máximo que eu diria, com a paciência herdada dos meus ancestrais, seria:

"Já que você tem meu número, ligue e marque você mesmo um jantar. Grata".

Além de a mensagem ter mostrado uma certa insuficiência, houve o agravante do horário: fui acordada pela mensagem. Caso tivesse forças para responder com toda sonolência que me dominava, seria:

"Você não me conhece direito, tampouco meus horários, portanto, não mande torpedo às 9h da manhã sem ter a certeza de que estou acordada. Grata."

Mensagens servem para afirmações e não para perguntas.

Por Juliana | Quinta-feira, Maio 11, 2006 | Passe a sua Receita:


Terça-feira, Abril 25, 2006

Já são 27

Hoje é meu aniversário e eu queria passar o dia inteiro socada em uma banheira de hidromassagem e ao mesmo tempo tomar a champanhe francesa mais cara que eu pudesse pagar, até ficar enrugada e bêbada simultaneamente. Queria uma festinha dotada de uma luxúria simples e muito particular.

Queria rir escandalosamente, ironicamente, debochadamente os meus quase 30 anos de idade. Queria tirar sarro de mim ao descobrir que as pessoas que me deixam estressada são as mesmas das quais eu não preciso para viver. Queria gritar do alto de um prédio de 30 andares, mas gritar tão alto até inflamar as cordas-vocais, que "todas as pessoas no mundo provêm do mesmo lugar e terão o mesmo destino, portanto, ninguém é melhor do que ninguém".

Mas hoje é apenas mais uma terça-feira da minha vida e eu vou trabalhar. Aliás, ano passado eu faltei ao trabalho e deixei de ganhar um abraço do meu ex-chefe fantástico. Hoje, meu atual é tão expressivo como um chuchu de salada e, claro, é provável que ele saberá que é meu aniversário. Ele vai dar uma gaguejada, um sorriso amarelo e falar "parabéns, hein?!". E toda essa "emoção" seguida por um aperto de mão e um tapinha no ombro.

Meu irmão chegou do trabalho, falou comigo, recebeu meu presentinho pelo seu aniversário e não me cumprimentou pelo meu. Detalhe: ele fez aniversário há poucas horas antes de mim, e esqueceu que o meu vem na sua virada. Minha mãe acabou de perguntar se eu vou almoçar em casa, disse que vai me dar dinheiro para eu comprar meu presente e também não me cumprimentou. Será que eles pensam que um dia só se torna outro depois que dormimos e acordamos, e não depois da meia-noite?

Vou à cozinha pegar um pedaço do bolo, cortado sem parabéns, do meu irmão, enquanto penso na garrafa com espuma gelada e na banheira com espuma quente.

Por Juliana | Terça-feira, Abril 25, 2006 | Passe a sua Receita:


Quarta-feira, Abril 12, 2006

De novo, 25 de abril

Desta vez, os doze meses passaram mais rápido. Lembro até do momento em que escrevi um texto nos primeiros minutos da minha nova idade. Nada mudou de um ano para cá: mesma casa, mesmo emprego, mesmos sentimentos, sensações, angústias, pressões.

Não cumpri as recomendações dos livros de auto-ajuda. Não troquei de carro, não comprei um pijama novo e nem chinelo novo. Gastei mais do que eu ganho, não plantei uma árvore, não engravidei e me restringi a escrever apenas nas linhas que completam o jornal no qual trabalho. Lamentei a troca de emprego do meu antigo editor.

Conheci uma duas cidades interioranas. Não experimentei nenhuma droga nova, fui a nenhuma rave. Mergulhei no mar duas vezes e estive na praia quatro. Não entrei na academia de ginástica e não comprei uma bicicleta. Bati o carro na própria garagem do meu prédio. Levei quatro multas de trânsito. Vomitei duas vezes. Consegui me divertir em quase todas.

Conclusões: preciso de mais dinheiro, ir à praia mais vezes e comprar coisas realmente úteis, como uma bicicleta e outro computador.

Vou receber os abraços na "Loca".
Dia 30 de abril, domingo - aproveitando o feriado de segunda-feira.
Rua frei caneca, 916 - 20 horas.
Aquece no bar da esquina abaixo da Loca.

Por Juliana | Quarta-feira, Abril 12, 2006 | Passe a sua Receita:


Segunda-feira, Março 27, 2006

GM Celta 2003
Única dona
2 portas, vermelho
ar condicionado, trava, alarme
CD Pioneer
33.000 km
Preço por e-mail
Se é que isso faz alguma diferença: o carro nunca quebrou, nada.
A única vez que precisei de guincho foi para trocar um pneu.


Por Juliana | Segunda-feira, Março 27, 2006 | Passe a sua Receita:


Segunda-feira, Março 06, 2006

Copos e palavras

Quando bebo um pouco a mais fico tão sentimental, que sou capaz de abrir meu coração ao primeiro mendigo que aparecer na minha frente.

Nesse sábado, numa festa, a experiência foi diferente: bebi ao lado de alguém sóbrio. Foi como fazer regressão: você sai da realidade, fala tudo o que lhe incomoda, e depois o terapeuta relata suas experiências traumáticas, que refletem na formação de sua personalidade.

Entre uma das 17 vezes que fui ao banheiro naquela noite, perguntei a uma das faxineiras (as quais sempre cumprimento), se estava tudo bem na casa dela. Um simples "boa noite" estaria de bom tamanho. De qualquer forma, educadamente, ela respondeu: "graças a deus".

Talvez eu quis me estender como uma forma de gratidão, pois na semana passada, uma de suas colegas de trabalho me emprestou um pente de cabelo e deu um cigarro à minha amiga. Curioso é que meu principio de TOC não permite que eu divida artigos de higiene pessoal nem com conhecidos... E minha amiga, cuja ocupação não é lavar privadas, teria dinheiro suficiente para comprar o seu próprio maço de Marlboro.

Percebi que os subterfúgios etílicos servem mais para soltar garganta, e não o corpo - como a maioria. Falo de mim, falo dos outros, falo da vida. Só quero saber de falar sem parar. E mesmo que o líquido se esgote, as palavras brotam abundantemente, sem fim. Falo tudo que vem à cabeça, sem nenhum filtro até a boca - e depois me arrependo.

Por Juliana | Segunda-feira, Março 06, 2006 | Passe a sua Receita:


Quinta-feira, Março 02, 2006

Éden

Este é o terceiro ano seguido que passo o carnaval sem viajar. E, definitivamente, tem sido uma das atitudes mais acertadas. Claro que três anos a mais na cédula de identidade influencia a evitar praias cheias e trânsito de 20 horas. Minha alma esta envelhecendo, mais do que a da minha mãe, que preferiu passear pelas Cataratas do Iguaçu com seu companheiro.

No ultimo carnaval em que viajei fui a Ilhabela. Não tinha lugar na areia nem para ficar em pé; e aquelas praias paradisíacas propagavam mais sons do que a Avenida Paulista no horário do rush. Enquanto não der para viajar de jatinho a uma praia de difícil acesso, melhor ficar em casa.

Dancei menos, bebi mais, fui mais objetiva e feliz. O amanhecer dos dias teve um gosto bom de satisfação. Em um destes dias em que eu estava me recuperando do anterior, uma senhora no elevador me perguntou: "não vai pular carnaval?". Eu quis responder "estou velha", mas para não ofendê-la, apenas dei uma risadinha amarela, como sempre, e disse: "não gosto de carnaval".

Não gosto de carnaval mesmo. Aliás, deve ser os dias em que mais economizo energia elétrica, em função da televisão desligada - o som da transmissão dos desfiles pela rede globo causa até formigamento. Gosto mesmo dos dias de folga, e da semana que dura três dias.

Por Juliana | Quinta-feira, Março 02, 2006 | Passe a sua Receita:


Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

Harmonia

- Será que quando tivermos 50 anos de idade seremos assim, meio sem graça, mornas e tristes, até? - perguntei à Alice.
- A geração delas se poda demais - respondeu.
- Só quero ser uma pessoa alegre - falei.
- Tudo vai depender de como estamos nos preparando para isso, Ju - sabiamente respondeu.
- A Maria tem 50 anos e é alegre.
- O marido dela é bacana, doido por ela e ainda dá grana pra ela gastar com tudo que quiser.
- Minha tia é pobre mas é alegre.
- Haahahahahaha.
- Ela grita, xinga, gargalha, tem emoção.
- É daquelas que não se privam, né?!
- Vejo que ela tem prazer em fazer as pessoas rirem, principalmente as que moram em sua casa.
- Sinceramente, acho que já fui bem mais alegre do que estou hoje
- Só fui alegre até a sétima série.
- Daria tudo pra voltar aos meus 16 anos. Agora entendo quando falavam para eu não ter pressa de crescer.
- Sempre pode ser pior, mas a vida é uma bosta às vezes.
- O realmente fazemos para melhorar?
- Só não queria que meu coração estivesse a 190 batimentos por minuto, como está agora.

Por Juliana | Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006 | Passe a sua Receita:


Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

O sono acabou

Quero meu sono de volta, aquele dos 14 anos de idade, que me permita dormir em qualquer lugar. Minha mãe chegou a me levar ao médico para saber por que eu dormia tanto. O diagnóstico foi "fase de crescimento". Eu deveria, então, ter 2 metros de altura hoje.

Uma das melhores letargias que tive na vida foi em uma viagem de uns 50 quilômetros entre duas cidades interioranas, de ônibus "de linha", coletivo, que chacoalha muito. Seria impossível cochilar, mas consegui dormir o trajeto todo. Como se não bastasse, quando cheguei à rodoviária - ao ar livre - ainda dormi no banco da praça, com a cabeça apoiada na malinha, até meu tio chegar. Disputei o espaço com os bêbados ao redor da igreja.

Em uma destas cidades do interior passava parte das minhas férias escolares. Em um daqueles anos longínquos, ficava o dia inteiro na loja de roupas da minha prima. A loja, aliás, mais mal localizada do bairro. Em 15 dias só entrou uma pessoa naquele lugar. Isso que significa que, enquanto eu não estava jogando baralho com minhas primas, dormia no provador. Tinha carpete, uma cortina e silêncio daqueles sítios do noroeste paulista.

Quando chegou a época do Crisma... era obrigada a ir, todo domingo, às 8h. Assistia a uma aula de ensino católico, seguida de uma missa. Abaixava a cabeça, com se estivesse rezando, fechava os olhos. O duro era aquele "senta e levanta" da cerimônia, mas a maior parte do tempo em que eu estava sentada, os olhos estavam fechados. A conseqüência era um torcicolo monstruoso, mas como o sono vinha fulminante, não havia maneira de evitar as conseqüências.

Dormi muito na faculdade. Um dos professores chegou a parar a aula para me acordar. "A moça está passando mal?". Ele sabia que não, mas não poderia me deixar dormir sem o constrangimento. Dormia também no ônibus a caminho. Como embarcava no mesmo horário, o trocador também era o mesmo, e gentilmente me acordava minutos antes de chegar o meu ponto, quando eu não despertava sozinha.

Hoje, não consigo mais dormir com aquela facilidade. Na última noite, tomei um sedativo. E mesmo cansada, fiquei duas horas acordada, olhando o teto. Nem a televisão ajuda, nem livros. A fase de crescimento acaba muito rápido.

Por Juliana | Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006 | Passe a sua Receita:


Sexta-feira, Janeiro 27, 2006

Honesta

Quando as pessoas são questionadas sobre o que realmente procuram em um relacionamento amoroso, invariavelmente, respondem: "sinceridade". A falta de sinceridade já começa nesta resposta. Ninguém pode ser sincero da maneira que gostaria, ou o mundo seria pior ainda, sob pena de auto-estimas destruídas, corações partidos, suicídios entre outros.

Um amigo perguntou por que as mulheres costumam hastear a bandeira do "quero um sujeito inteligente e interessante", mas sempre optam por rostos bonitinhos do tipo "arroz-com-feijão?" Sinceramente:

Não é difícil descobrir a diferença entre quem é interessante e quem ostenta apenas um rostinho bonito. Vejo que as pessoas não escolhem muito, mas simplesmente deixam as situações acontecerem. É natural gostar de beleza. Além do mais, sem conhecer o que há nos confins da mente de alguém, instintivamente nos direcionamos ao que é melhor aos olhos. No fundo, sabe-se que rostos bonitos e sem conteúdo servem para ser exibidos em festas, boates e afins, mas não para apresentar à mãe.

Sustentar uma situação de estar com alguém apenas por beleza física não dura muito tempo. Chega um momento em que dá nojo ou uma imensa vontade de rir: de você mesmo, ou do outro. Uma vez, estava com uma amiga quando um desses me ligou. Ao ver o número dele no meu celular, comecei a rir assustadoramente, que pedi para ela atender e dizer que eu estava "estacionando o carro". Estava sem fôlego; ria muito, como nunca aconteceu antes. Ria porque ele era muito bobo, do tipo caricato. Tremendo desperdiço. Ri horas seguidas. Não consegui falar com ele.

Não há beleza que sustente burrice. Imagine o que seria explicar para o Rodrigo Santoro ou para a Ana Hickmann que o "Pantanal NÃO fica no Amazonas!"

Tal fenômeno não acontece só com as mulheres. Quantos homens preferem apenas as "gostosonas" às "inteligentes e interessantes". Mais do que isso, alguns têm certo receio de mulheres inteligentes, ficam intimidados... por isso procuram as mais rasas para poder exercer controle emocional e intelectual. Existe também a categoria que finge ser burra - esta talvez seja a mais perigosa.

Por Juliana | Sexta-feira, Janeiro 27, 2006 | Passe a sua Receita:


Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Onde ou Aonde (vamos)?

Diante do imenso clarão que ocupa meu cérebro, precisei de uma sugestão para vomitar algumas palavras digitais. Não era necessariamente um assunto que eu queria "mexer", mas o tema, sugerido por um homem, consiste em diferenciar os "homens que escolhem os lugares" (para levar uma garota) e outros que "são uns bostas", como ele definiu.

Claro que é curioso estar na maior metrópole da América Latina e um homem ficar em dúvida, ou pior, simplesmente não ter noção de que local levaria uma garota. E esse negócio de "escolhe você" não é para agradar, mas sim para não ser julgado, caso erre. As mulheres, propositalmente, vão falar "não sei", ou "qualquer lugar", sempre.

Só o fato de a garota aceitar sair com o sujeito já é um progresso que ele não deveria desperdiçar por não ter a capacidade de escolher um local. É preciso apenas ter alguns drinques dentro de copos enfeitados que já é um passo. Eu mesma, já escolhi o lugar algumas das primeiras vezes - é desagradável, mas não traumático.

Chamar uma garota para jantar tem dois lados: representa um cara elegante, educado, mas ele também pode demonstrar um certo desespero em conquistar aquela garota, como se fosse a última. Ao passo que, escolher um bar com música alta, pista de dança, não é nada pessoal, e pode refletir um certo desinteresse. Talvez uma mistura do restaurante e da boate pode ser ideal, mas desde que o fulano saiba o endereço deste lugar.


Por Juliana | Quinta-feira, Janeiro 19, 2006 | Passe a sua Receita:


Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

"Domingo quero te encontrar / E desabafar todo meu sofrer"

Existem tantas comunidades no orkut, sobre tantas coisas, mas ainda não criaram uma assim: "Sou hétero, mas freqüento a Loca" (ou algo que o valha).

Odeio gostar daquele lugar. Tenho arrepios quando o relógio marca 16 horas do domingo. Neste horário, não sei se fico feliz ou triste quando o telefone toca, e o identificador de chamadas mostra prefixos como "2272" ou "6341". E quando não, quem trata de ligar, para um desses, ou outros "6910" ou "2293" sou eu.

Não quero mais ir lá, naquele lugar abafado, sujo, livre de papel higiênico nos banheiros e, de longe, o menos adequado para conhecer meu futuro companheiro, ao lado de quem pretendo me aposentar.

O DJ não precisaria ser tão perspicaz, o valor do ingresso poderia não se reverter em consumação, o boteco na porta poderia não ter o melhor croissant da Rua Frei Caneca. A performer Bianca Exótica poderia não ter sido tão simpática comigo enquanto eu esperava 40 minutos na fila do caixa. Ainda que o meio não me permita, quero apenas ser convencional, juro.

Por Juliana | Segunda-feira, Janeiro 09, 2006 | Passe a sua Receita:


Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

Amena

Em poucos meses vou completar 27 anos; tento disfarçar para mim mesma, mas estou preocupada com a minha idade. Estou com medo de ficar velha fisicamente, de olhar para aquelas fotos de quando eu tinha 15 anos, com braços e pernas rígidas, e ficar com saudades. Sorte que o tal medo é só neste aspecto, porque sempre fui um tanto quanto precoce - e gosto disso. Não tenho muita paciência para jogar dominó, nem caxeta, mas adoro ouvir a rádio Antena 1 (94,7fm) e cozinhar. Só me faltam os óculos; na verdade, já os tenho, mas estou adiando para tirá-los do armário.

Por enquanto, ainda dá para fazer algumas coisas, como tomar sol de biquíni, mas não sei até quando. Não tenho filhos, e nem pretendo tão logo, mas dizem que útero que não fecundado pode gerar câncer, assim como as cadelas mais velhas que ainda não deram cria. Isso é preocupante. Na verdade, queria mesmo era ter netos direto - bem mais prático.

Não fui promovida no trabalho, não fiz intercâmbio e estou sem paciência para "baladas" - até esta palavra soa adolescente. Reservo o direito de gostar apenas das "noitadas" em que o som fica a meu cargo, até porque as músicas proferidas por mim são de, 10, 20 anos atrás - época em que realmente eram boas. Ah, e nada de arriscar a conhecer gente e lugares inéditos (como diz um amigo, "estamos velhos para isso"): bom mesmo é estar com as companhias de sempre, bebendo as coisas de sempre, o que garante a alegria de sempre.

Até aquelas crises emocionais, ou de identidade, não surpreendem, porque a idade faz descobrir seus sintomas, causas, conseqüências e diagnósticos precisos como os de um profeta. Prefiro chamar esta capacidade de "experiência" e não de velhice. Estou mais feliz agora do que quando eu tinha 15 anos, porque, bem melhor do que a juventude, é poder fazer o que se quer.

Por Juliana | Quarta-feira, Janeiro 04, 2006 | Passe a sua Receita:


Quinta-feira, Dezembro 15, 2005

Está chegando

Antes queimar a boca ou comer cru, mas nunca morno, porque este sim, dá vontade de vomitar. O cara que inventou o mês de dezembro, o reveillon e o mês de janeiro é abençoado, porque é neste período as pessoas fazem planos e prometem cumpri-los durante os meses seguintes. Apesar disso, não conheço quem consolidou o regime, mudou de emprego, cortou 20 centímetros do cabelo ou trocou o carro, em função de um plano estabelecido no começo de um ano.

O ano de 2004 não foi muito agradável, por isso, estive à espera de um espetáculo este ano, afinal, dizem que os anos impares são bem melhores, e eu tentei buscar um acalento nesta superstição. Percebi também que o saldo de um "ano bom" é aquele relacionado a realizações intrínsecas ao dinheiro ou amor. Uma coisa boa que aconteceu este ano foi a mudança de casa, de cidade... de resto, nenhum grande fato positivo que vá marcar a minha vida para sempre.

Por isso, não faço planos, mesmo que minha consciência me cobre diariamente. Descobri apenas que cansei de trabalho intelectual; quero lavar pratos na Oceania, não quero mais pensar para escrever sobre coisas que meus parentes e amigos não entendem, e apenas eu e meia dúzia de dinossauros gostamos. Uma coisa boa deste ano é que aprendi coisas sobre economia. Acordei com vontade de falar que o mundo é sujo e os governantes do Brasil mais ainda. A diferença é que os porcos nortes-americanenses e europeus roubam no jogo em favor de sua população. Isso significa, então, que os brasileiros, além de cretinos, são burros.

Por Juliana | Quinta-feira, Dezembro 15, 2005 | Passe a sua Receita:


Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Cereal Killer

Ressaca moral é mais desconfortável e prolongada quanto uma dor-de-cabeça causada por um fígado que passou do prazo de validade. Pode até ser melhor regurgitar, de uma vez, a bílis, que mesmo causando uma sensação muito dolorosa faz sarar bem rápido. Na ressaca moral, o órgão mais atingido é a mente, e para essa a combinação de hidróxido de alumínio, ácido acetilsalicílico, cafeína e maleato de mepiramina não adianta muito não...

Em tese, quem sarou de alguma coisa é porque antes estava doente. Mas, às vezes, a tal doença é, antagonicamente, tão boa, que é melhor permanecer nela um pouquinho mais, talvez o equivalente ao tempo que o deejay leva para tocar sete ou oito músicas.

Paradoxalmente, mesmo que a ressaca seja dolorosa, o choro vem antes, no momento de alegria, misturado com um riso, que faz as lágrimas caírem como as de um ator que estrela um clipe de música sertaneja de quinta. E o sorriso gruda no rosto de tal forma, que quando vai embora, só vai aparecer de novo uma semana depois.

Falando em quinta, o ápice da ressaca sempre acontece aos domingos. Já não basta ser o pior dia semana - pior do que uma segunda-feira de trabalho - o dia do Fantástico a potencia. Claro, porque o "embriagamento" de alegria sempre acontece aos sábados.

É como comer algo muito gostoso... mas comer demais, até passar mal. É como comer demais centeio, cevada ou arroz (cereais líquidos traiçoeiros).

O livro mais famoso do norte americano J. D. Salinger (1918), "O Apanhador no Campo de Centeio" é o título da obra no Brasil, resultado da tradução literal, exigida pelo autor. O nome original do livro é "The Catcher in the Rye". A locução "in the rye", traduzível por "no campo de centeio", é uma expressão idiomática que significa "perigo" ou "dificuldade".


Por Juliana | Segunda-feira, Novembro 28, 2005 | Passe a sua Receita:


Quinta-feira, Novembro 10, 2005

"Nós mulheres somos assim: não damos ponto sem o nó
ja arrumei mais um jeitinho pra tudo ficar melhor
Escute a minha forma pra você ficar comigo
você finge que me ama e eu finjo que acredito"

Por Juliana | Quinta-feira, Novembro 10, 2005 | Passe a sua Receita: